O que são juros compostos?
Juros compostos são os juros que incidem não só sobre o valor inicial aplicado, mas também sobre os juros já acumulados nos períodos anteriores. É o famoso “juros sobre juros”: a cada período, a base de cálculo aumenta, e por isso o montante cresce de forma exponencial ao longo do tempo.
É esse efeito que transforma aportes mensais modestos em valores expressivos no longo prazo — e também o que faz uma dívida no rotativo do cartão crescer tão rápido. Nos investimentos, o tempo é o maior aliado de quem usa os juros compostos a seu favor.
Como calcular juros compostos
Para uma aplicação única, o montante é dado por M = C · (1 + i)ᵗ, onde C é o capital inicial, i é a taxa por período e t é o número de períodos. Exemplo: R$ 10.000 aplicados a 1% ao mês durante 12 meses resultam em R$ 11.268,25 — ou seja, R$ 1.268,25 só de juros.
Quando há aportes mensais recorrentes, soma-se o valor futuro da série de aportes (uma anuidade). É exatamente o cálculo do módulo “Aplicação com depósitos regulares” da Calculadora do Cidadão, do Banco Central — e é o que esta calculadora faz, mês a mês, montando também o gráfico e a tabela.
Regra de ouro: a unidade da taxa precisa bater com o período. Se a taxa é anual e os aportes são mensais, convertemos a taxa para mensal pela equivalência composta i = (1 + taxa anual)^(1/12) − 1 — e não simplesmente dividindo por 12, o que superestimaria o rendimento.
Juros simples x juros compostos
Nos juros simples, o rendimento incide sempre sobre o capital inicial — o crescimento é linear. Nos juros compostos, o rendimento entra na base do período seguinte — o crescimento é exponencial.
Veja a diferença com R$ 50.000 aplicados a 8% ao ano por 10 anos: nos juros simples o montante seria R$ 90.000 (R$ 40.000 de juros); nos juros compostos, R$ 107.946 (R$ 57.946 de juros). São quase R$ 18 mil de diferença — e ela só aumenta quanto maior o prazo.
Que taxa de juros usar na simulação?
Use a rentabilidade esperada do investimento. Para renda fixa, a Selic (taxa básica de juros) e o CDI servem de referência — boa parte dos CDBs, LCIs e do Tesouro Selic acompanha esses indicadores. Como essas taxas mudam ao longo do tempo, confira a rentabilidade atual do produto antes de simular.
Se você não tem certeza da taxa, simule cenários: um valor pessimista, um realista e um otimista. Comparar os três deixa claro o impacto da taxa no resultado final.
Atenção: inflação e imposto de renda
Esta calculadora mostra o valor bruto nominal — ou seja, antes de descontos. Dois fatores reduzem o ganho real: a inflação (medida pelo IPCA), que corrói o poder de compra ao longo do tempo, e o imposto de renda.
Na maioria dos investimentos de renda fixa, o IR é regressivo e incide só sobre os juros: 22,5% para resgates em até 180 dias, 20% de 181 a 360 dias, 17,5% de 361 a 720 dias e 15% acima de 720 dias. Por isso, quanto mais tempo você deixa o dinheiro aplicado, menor a alíquota.
Como interpretar os resultados
Valor final acumulado é o montante projetado ao fim do período, somando o que você investiu e os juros. Total investido é a soma do valor inicial com todos os aportes. Total em juros é quanto o dinheiro rendeu além do que você colocou.
No gráfico de evolução, observe como a fatia de juros (verde-claro) é pequena no começo e ganha força com o tempo, passando a crescer mais rápido que os aportes. Esse é o ponto em que o dinheiro começa a “trabalhar sozinho”.
